Luxemburgo, Maridos

O dia em que o azar nos bate à porta.

Já leio blogues desde o inicio da minha adolescência, faziam-me imaginar como é que um dia podia vir a ser a minha vida. Gostei tanto de alguns ao ponto de os rebobinar até aos primórdios. Apaixonei-me pela escrita, pelas tiradas cheias de ironia e sarcasmo, pela transparência e frontalidade com que nos davam a conhecer as suas vidas. O que eu procuro quando sigo um blogue, é uma pessoa real, que conte histórias reais, afinal se eu quisesse ler histórias perfeitas tinha os livros da minha filha. Nunca entendi muito bem porque é que tinham tanta reticência para falar de problemas, mas porque raio é que se fechavam em casulos e não partilhavam nada acerca das imperfeições da vida?
Hoje vejo que todas as moedas têm duas faces e agora sou eu que estou aqui, sou eu que tinha um texto que ia acabar hoje à noite que nada tinha haver com este, fui eu quem perdeu a voz e que não me sentia com forças de pensar sobre nada quanto mais escrever sobre uma ferida recém aberta.
Não tenciono deprimir ninguém mas a vida também é feita de contratempos.
Foi no fim do ano passado que o meu marido decidiu tirar a licença de paternidade a que tinha direito. O último dos 4 meses que esteve em casa foi passado em entrevistas, era praticamente uma dia sim dia não. Acabou o tempo e ainda não tinha recebido nenhuma resposta, voltou então para o trabalho antigo e a vida continuou. Até que no dia 5 de Dezembro recebeu a resposta a dizer que tinha sido o escolhido para um dos trabalhos. É obvio que ele ficou radiante, e eu saboreei aquela conquista como minha também, todo o esforço que tínhamos feito ao longo daquele mês tinha sido recompensado. Pensámos que não haveria melhor maneira para começar Janeiro. Trabalho novo, caras novas, um trabalho mais desafiante mas que  lhe traria mais experiência e sabedoria! A adaptação correu muito bem e apesar de não ter tanta experiência com a língua não sentiu grandes dificuldades e integrou-se facilmente. Todos os dias ao longo destes dois meses vi-o entrar em casa feliz, e isso não tinha preço. Todos os dias até hoje. Foi logo no início de Fevereiro que as más noticias começaram a chegar, e este mês foi sendo vivido com algum medo mas ao mesmo tempo com alguma tranquilidade, porque no fundo nunca acreditamos que também podemos ser nós os escolhidos quando é o azar que está a bater à porta. A questão é que fomos. Fomos porque eu sofro como se fosse comigo, porque se ele estiver feliz eu também estou, mas se ele estiver a sofrer então sofremos os dois.
Pode demorar uma semana, duas ou três. Pode demorar um mês ou dois. Sinceramente não me interessa. O que importante é que independentemente disso eu vou estar aqui, e ele vai voltar a ser o escolhido!

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