Janeiro infinito.

Para mim Janeiro tem um sabor agridoce, se por um lado pertenço ao grupo dos que gosta do 1º de Janeiro e do que representa, por outro lado chegou o 31 de Janeiro e eu sinto que vivi dois meses num. Este mês aconteceu tanta, tanta coisa que quase me sinto super-mulher, super-mãe, super-tudo. O meu calendário não tem uma única coisa lá marcada, mas o que é certo é que foram raros os dias que estive em casa. E quando estava tinha milhares de coisas a fazer. Gosto de azáfama, de correr de manhã à noite, de fazer 1000 coisas ao mesmo tempo. O problema é que sinto que tenho de abrandar. Abrandar o ritmo. Abrandar a velocidade a que trato dos miúdos de manhã. Abrandar os banhos e a rotina do sono. Tenho de viver mais os meus filhos, de ver mais filmes com o meu marido depois de os irmos deitar. Tenho de baixar a exigência com a casa e pensar quais são as memórias que quero que os meus filhos tenham de mim, se a maluca frenética pelas limpezas, se a mãe que se sentava no chão e os ficava a ver brincar. Tenho que desinstalar o facebook, e parar de responder à minha filha sem olhar para ela. Tenho que continuar a ajudá-la com a desintoxicação de Youtube, que começámos à duas semanas. Tenho de continuar a esforçar-me para ser e fazer melhor todos os dias, como se fosse sempre 1º de Janeiro.

Há quem ache que estar em casa é não fazer nada – já eu que estou em casa acho que é fazer muito. É fazer muito e viver pouco. E eu quero é viver.