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Andar de carro: quem tem cu, tem medo!

Esta semana ficou marcada pelo meu quarto acidente de viação. Quarto. Há quem diga que o carro está amaldiçoado, embruxado, que é tudo fruto de má sorte. Há os que já nem me dizem nada, mas me dão amuletos da sorte. Assim de repente que me lembre já tenho um terço abençoado, não sei quantos dentes de alho e uma ferradura de um cavalo, tudo estrategicamente espalhado pelo carro todo.

Eu não sei o que é, nem quero saber. Não saio de casa com medo de poder ter um acidente, estou sujeita – estamos todos. Desde que não seja nada grave e ninguém se aleije, tudo ok. Ao quarto já nem senti as lágrimas a chegar, já não paniquei nem me senti a entrar num buraco de desespero. Saí do carro, fui ver como estava o miúdo, olhei para o estrago, falei com o senhor e decidimos ir para o trabalho dele, que ficava mais à frente. Tentei arrancar, pela primeira vez não deu e tive de chamar o reboque. É decididamente uma experiência para mais tarde contar aos putos, mais não seja para lhes dizer: Vejam lá bem o que fazem, não sejam burros como a vossa mãe!

Nesta semana de reflexão pensei bastante num comportamento obsessivo-compulsivo que tenho quando vou no lugar do pendura. Não sei se é só comigo, mas eu sofro. Sofro mesmo. Eu travo, umas vezes devagarinho outras a fundo. Eu acelero. Eu agarro-me à porta, normalmente com as duas mãos e tudo! Eu meto piscas. Eu dou indicações sobre tudo e mais alguma coisa. Eu consigo sair de uma viagem de 5 minutos transpirada e com o coração a 200%. Melhor que ir ao ginásio!

Lembrei-me também do que tinhamos falado em Setembro, numa formação que fiz para jovens condutores. Perguntaram ao grupo quais eram os maiores problemas que tinhamos de enfrentar na estrada. As respostas foram surpreendentes:

  • os belgas;
  • os franceses;
  • os que conduzem muito devagar;
  • os que não sabem fazer rotundas;
  • os que entram devagar na auto-estrada;
  • os velhotes;
  • os que vêm a placa “radar” e travam quase a fundo;
  • os aceleras;
  • os que não sabem usar os piscas;
  • os que têm excesso de confiança;
  • os que conduzem alcolizados;
  • os que acham que esta merda estrada é toda deles;
  • resumidamente, os outros!

Todos os outros… todos menos nós. Todos conduzem mal e cometem erros, menos nós, claro!

Isto tem que ter algum sentido, porque hoje consigo perceber que mesmo já tendo tido vários acidentes tenho muito mais medo de ir no lugar do pendura, do que de conduzir – então desde que descobri que em caso de acidente é o primeiro a bater a bota, até se me arrepia a espinha quando tenho de sentar lá o traseiro.

A verdade é que normalmente sentimos que a culpa nunca é nossa, mesmo quando até é!

O meu marido depois das perguntas habituais de se estávamos bem, e assim perguntou de quem era a culpa. Eu disse-lhe sem hesitar que era minha, eu sei que errei, eu sei que posso errar, mesmo não sendo prazeroso de admitir, a culpa foi minha e eu estou apenas feliz de ter sido um erro pequeno e que não pôs em causa a integridade física de ninguém.

#bárbaraaprovocaracidentesdesdemilnovecentosetrocaopasso

#desculpemmastenhomedodeiraovossolado

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