Pequena Mathilde.

Quando a minha filha tinha dez meses escrevi este texto, hoje 21 meses depois continuo a concordar em absoluto (ou quase).

“Faz hoje dez meses que sou mãe, mãe da Mathilde. Esta parte é importante porque ela é única. Tudo o que resulta (ou não) no dia-a-dia dela, pode não resultar para outro bebé/criança.

Existem algumas coisas que ao longo destes meses me fizeram ganhar tiques nervosos, exemplos?!

– Pais que batem sistematicamente nos filhos. Uma vez li um comentário num grupo de DP que dizia “Levámos séculos para que deixasse de ser aceitável o marido bater na mulher, quantos mais séculos serão necessários para deixar de ser aceitável os pais baterem nos filhos?”. No meu ponto de vista violência gera violência, ponto. Se acho que levar tareias vai influenciar negativamente quem as levou? Acho! Será que essa pessoa quando for a sua vez de educar vai fazer igual? Provavelmente sim!

– Pais que têm toda a paciência do mundo, mas para os filhos dos amigos. Mais ou menos o mesmo raciocínio que “Os maridos das Outras”, os filhos dos amigos podem fazer tudo, saltar em cima das mesas, puxar os cabelos a toda a gente, saltar para as cavalitas sem aviso prévio, pintar o diabo a sete, que mesmo assim comparando com os nossos aquilo não é nada, não é? Mas também se fossem os nossos filhos já estavam era com uma na cara e de castigo a olhar para a parede.

– Pais que dizem que têm que educar assim porque aquela fase é a mais complicada do mundo. Meus amigos, todas as fases são as mais complicadas do mundo. Já ouvi falar de recém-nascidos e bebés difíceis, depois vêm os terrible two, seguidos dos treenager* e nem vale a pena falar da adolescência . Sei que acham que vai melhorar mas enganem-se, até saírem de casa isto é sempre a descer, been there, done that.

– Pais que já se esqueceram que já foram crianças, ou que têm uma memória selectiva que se farta. Um açoite no lombo por cada vez que dissessem que nunca fizeram tal coisa e que é um ultraje as crianças agora serem assim .

– Pais que não são pais… Fazer e parir, é uma coisa. Criar e ajudar a crescer é outra. E eu que praticamente não tive pai, sei que mesmo não me tendo feito, tive algum suporte quando precisei do meu padrasto. Não é igual, nunca é, mas na minha opinião até acho que criar os filhos dos outros dá o dobro do trabalho. Existem sempre aquelas frases “Tu não és meu pai!”, “Tu não mandas em mim!” ou ainda a típica “Vou dizer ao meu Pai/Mãe/Tartaruga/Piriquito!”.

– Pais que adoram comparar os filhos, ahhhhhhh que tormento, se pudesse andava com um chicote no bolso para de cada vez que ouço, “A tua filha é tão pequena/magra/gorda/cabeluda/despenteada/desdentada a minha.. ” e pumba já tinham desmaiado, é que nem os deixava acabar a frase. Aviso já que já sei que os vossos rebentos com 10 meses já tinham quase toda a dentição, já faziam o pino, tocavam piano e guitarra e ainda vos ajudavam com o jantar – porra e o jeitão que esta ultima me dava. A minha filha é o que é, e eu não quero que ela seja o que os outros querem.

A maternidade já é tão difícil e tão cheia de ses que não vale a pena complicar mais 🙂 “

-Nota 1: Não é por já ter dado uma palmada na minha filha que deixei de concordar que a violência é errada. Até porque também já me fechei na casa de banho para refletir sobre como reagir, nesse dia estive muito muito perto de bater com a cabeça na parede, mas respirei fundo, contei até 20 e voltei. A minha primeira opção nunca é dar-lhe uma palmada, nunca foi e espero que nunca seja. Abraços, falar com voz calma, baixar-me sempre até à altura dela, levar com a maior calma possível e não demonstrar que estou irritada ou enervada.

-Nota 2: Este texto contém ironia e sarcasmo. Calma.

*Treenager (Tree + tenager), uma mistura explosiva, é chegar lá para ver!