Luxemburgo

Não tenho tempo.

Não tenho tempo. Ponto. É esta a frase que mais tenho ouvido nos últimos tempos. Seja vinda de membros da família, amigos ou conhecidos, ela irrita-me. Já disse. Irrita-me porque não concordo. Acho que esta “falta de tempo” é apenas a desculpa mais simples para poder matar ali a conversa. Nós acabamos por dizer “Pronto então quando estiveres mais folgado/a combinamos alguma coisa” e esse dia nunca mais chega, ou então demora séculos a chegar. Eu tenho dois filhos e a não ser que não possa ou não consiga mesmo tento sempre ser presente, tento que os meus filhos sejam presentes. Acho que era mais honesto dizer que não fazemos parte das prioridades para essa pessoa. Claro que era mais frio e ainda era capaz de nos magoar, mas era o mais honesto. Se todos os dias despendemos de 1 hora para ver a nossa série favorita, não podemos tirar 20 min e ir visitar um amigo? Se todos os dias vegetamos durante 30 minutos no facebook ou instagram não podemos perder 1 minuto a mandar uma mensagem a perguntar como vai aquela pessoa que nos é querida? Para mim é uma questão de coerência – ou falta dela vá.

Quando vou a Portugal digo muitas vezes que não tenho tempo para tudo, é muita família para visitar de parte a parte, normalmente todos podem mais ao fim-de-semana ou à noite e é-nos impossível conciliar com toda a gente. Férias em Portugal, para nós emigrantes não são férias, em 2016 decidimos ir duas semanas para Itália mesmo por causa disso. Em portugal podemos equiparar-nos ao padre que vai dar Jesus Cristo a beijar porta a porta. Não é de todo a esta falta de tempo que me refiro. É à falta de tempo de quem está a 10 minutos de distância mas nunca aparece, é à falta de tempo de quem prefere a televisão ou o computador a visitar a família, à falta de tempo de quem prefere criar raízes na merda porcaria do sofá a conviver e ir beber um café algures. Ponham-se mais vezes no lugar da pessoa que vos ouve dizer que “Não têm tempo”, que “Este fim-de-semana não dá mesmo”, que “Sexta à noite é impossível”, tentem perceber quando é que as prioridades estão trocadas. Não me quero afastar dos amigos por falta de tempo, isso não tem jeito nenhum, mais vale irmos ali andar à paulada. Não quero ser a única a ir e a fazer por estar, isso para além de ser cansativo, faz-nos pensar que se não formos nós nunca estamos juntos.

Uma das coisas para mim mais ridículas desta vida, é termos familia em Portugal que vemos mais vezes do que outra que vive aqui ao lado.
Vivemos tão centrados na nossa casa, no nosso mundo que nos esquecemos de tudo o que está lá fora. Vivemos tanto no meio de desculpas que nem nos apercebemos de que só nos estamos a enganar a nós próprios.

Precisamos de loucura, de dizer que sim sem pensar, de sair e conviver mais, falar com conhecidos e desconhecidos. Precisamos de viver a vida. Simplesmente isto!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *